Revista Mix

Houve um tempo em que, quando um político decidia prometer o que não pretendia realizar, tinha que o fazer literalmente, palavra a palavra. Hoje a coisa é mais fácil: basta uma meia verdade e o próprio público se encarrega do auto-engano, da mentira inteira.

Políticos modernos prometem tudo sem dizer nada. Optam por um palavreado abstrato, deixando então o sonho por conta do freguês.

Caiu em desuso frases como “Por mais ética na política!” ou “Por um ensino público de qualidade!”.

Hoje é comum, por exemplo, o jovem imberbe, na maioria das vezes filho de um figurão reconhecidamente corrupto, advogar a causa da “nova política”. Nova em que, na idade? “Nova política” é a nova malandragem. Aliás, nem tão nova, mas funciona. Por ironia, se o proponente for mais corrupto do que o pai, não terá faltado com a verdade, uma vez que “nova” não é, necessariamente, “melhor”.

Creio, entretanto, que o cliché preferido, o da moda, seja “mudança”. Vale como um coringa, cabe em qualquer discurso, para qualquer sonho.

– Vote em mim, o candidato da mudança! – promete o postulante ao cargo público.

Nessa hora o que me vem à mente é a cara de desilusão do eleitor que, após a tal mudança, descobre que o novo endereço fica no Beco da Desgraça, esquina com a Rua da Amargura.

Quanto ao candidato, este cumpriu o que prometeu: a mudança. Só não disse o destino.

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