
Desde que Karl Marx, em parceria com Friedrich Engels, redigiu o Manifesto Comunista (publicado em 1848, com o título original “Manifesto do Partido Comunista”) e, em seguida, escreveu O Capital (editado em 1867), uma imensidão de livros, artigos, palestras, discursos, debates, entrevistas, foram produzidos sobre o assunto, mundo afora. Entretanto, mais de um século depois, mesmo diante das atrocidades, factuais, ocorridas sob a égide do discurso marxista, quase ninguém tem, propriamente, noção do que se trata. E quanto mais o debate se estende, maior é a controvérsia.
O desacerto se dá porque as pessoas, mesmo as mais esclarecidas (o que inclui intelectuais conservadores, muitas vezes por constrangimento ou cavalheirismo incabível) dão crédito e foco ao discurso; embarcam, por consequência, nas proposições falaciosas sem analisar a fundo o âmago da coisa, admitem a propaganda sem analisar o real teor do produto. Assim, passam ao largo do cerne da questão, bem como do interesse escuso que levou Marx a formular os escritos, e tantos outros, de políticos velhacos a vítimas incautas, a o elevarem a papel relevante no palco político. É importante esclarecer que o equívoco de debater o discurso, atendo-se à falácia, é o que permite aos defensores da farsa desfrutarem de uma dignidade, à qual não fazem jus, e dessa forma, seguirem em frente com a mentira.
Quanto ao autor, Marx, ao contrário do que se pressupõe, nunca se deu a grandes estudos econômicos ou algo do gênero. Na juventude, foi um poeta fracassado, sustentado pelo pai. Adulto, tornou-se um escritor tresloucado, alçado, como tantos outros panfletários, à condição de “filósofo” por políticos espertalhões, interessados em iludir a multidão ignorante, para, em seguida, dominá-la. Pouco afeito ao trabalho, o tal nunca empreendeu coisa alguma, ou, como se diz, “pegou no batente”. Levou a vida bancado por heranças de parentes e mesada de Engels, este último, curiosamente, um burguês equivocado, mas influente, filho de um grande industrial do ramo têxtil.
Somadas heranças e mesada, os valores recebidos durante a vida, vale lembrar, sem trabalhar, seria o suficiente para Marx dar à esposa e filhos uma vida razoavelmente confortável, não fosse, o formulador da “teoria econômica” que salvaria o mundo, um irresponsável, que torrava o que recebia em luxos incompatíveis com seus rendimentos. Costumeiramente fedido (não lhe agradava o costume do banho) e por vezes trajando vestes puídas, o sujeito vivia pendurado em agiotas. Por ironia, o defensor do proletariado tinha em casa uma típica representante da classe trabalhadora, que cumpria a função de doméstica para a família do dito-cujo. Marx, que rotulava os burgueses de exploradores do trabalho alheio, no entanto, nunca pagou um único salário à pobre. Pior, traiu a esposa com a referida empregada, com quem teve um filho e não assumiu a paternidade. Resumo: com a devida vênia pelo trocadilho, o teórico da “mais-valia” não valia um vintém furado.
Contudo, deixemos de lado a vida particular do autor: isso, per se, seria tão somente argumentum ad hominem. Vamos, portanto, à questão:
Afinal, o que vem a ser, de fato, o marxismo?
O discurso marxista surge no contexto da Revolução Industrial. Com o avanço abrupto da tecnologia, o poder econômico e político mudou de mãos, da aristocracia para a burguesia. O antigo sistema de feudos perdeu espaço para a indústria e o comércio, o chamado livre mercado, o que gerou uma enorme crise política. É quando surge a expressão “capitalismo”. Na época, os burgueses, novos donos do capital, passaram a ser acusados de oprimir a classe de assalariados. Desde então começou a circular concepções estúpidas, chamadas, por muitos, eufemisticamente, de “utopias”, a exemplo de anarquia e comunismo, ideias muito próximas entre si, que pregavam o fim do capitalismo burguês “malvadão”, trocando-o por um mundo romântico de igualdade, em que, a um só tempo, ninguém seria proprietário de nada e todos teriam acesso aos meios de produção necessários à vida, sem oprimir os demais. A propósito, o comunismo de Marx não é uma ideia original: outros personagens, a exemplo de Victor d’Hupay, já usavam o termo.
Por que a anarquia e o comunismo são ideias estúpidas?
Não é do ser humano livre o tal mundo de igualdade. Quando em plena posse do livre-arbítrio, o indivíduo humano pensa diferente, deseja diferente, age diferente, portanto obtém resultados diferentes dos demais, ou, ao longo da vida, diferentes ainda de si próprio, pois temos, não obstante, a possibilidade de, ao nos inferir, por algum motivo, equivocados, empreender coisas outras, seguir por caminhos não usuais. De artistas a industriais, nem todos buscamos enriquecer, nem todos pretendemos uma vida simples.

A História demonstra que só é possível levar a tão badalada igualdade à prática quando imposta a indivíduos, ora em diante privados da prerrogativa de decidir a própria vida; impedidos, assim, de qualquer realização pessoal. Na escravidão, com exceção de senhores de escravos, todos são iguais, ninguém possui coisa alguma, embora tenha o que comer e onde dormir. Porém, a escravidão, certamente, não é uma boa ideia, e quando acaba, tem-se fim a igualdade.
Já o capitalismo, não se trata de uma teoria política levada à prática. O capitalismo não é uma ideologia, ninguém o inventou ou implantou. Em essência, o chamado capitalismo, primo-irmão da liberdade, existe desde os primórdios, muito antes, pois, de lhe cunharem a expressão. Se não, vejamos:
O capitalismo se fundamenta na riqueza (capital) gerada pelo indivíduo que a detêm; brota, portanto, de modo intrínseco, da capacidade humana de produzi-la. O capitalismo nada mais é que um desafio natural ao ser humano, uma competição de habilidade, em que o indivíduo livre empreende colocar ideias em prática, quando então, do confronto entre a imaginação e a realidade, obtêm ônus ou bônus. Nesse sentido, tanto o Zé do Picolé quanto o João do Milhão são capitalistas, uma vez que empreendem coisas, cada um conforme suas ideias, desejos e circunstâncias. A propósito, o capitalismo não é algo estático. Então, no decorrer do tempo, pequenos empreendimentos, eventualmente, logram prosperar, bem como grandes empresas podem, em algum momento, ir à bancarrota. Tudo é uma questão de saber lidar com o jogo de erros e acertos entre o que alguém imagina e o que, efetivamente, consegue realizar. Não fosse a engenhosidade humana, que nos permite tentar coisas novas e gerar riqueza, ou seja, não fosse o “capitalismo”, ainda estaríamos coletores e caçadores nas cavernas, sem domínio sobre coisa alguma.
Esse, digamos, campeonato de prosperidade, em que quem mais acerta passa a ter mais capital, portanto mais poder de decidir, nos traz benefícios em âmbito geral, até mesmo a simples operários, que passam a usufruir de coisas antes sequer imaginadas. Entretanto, o ser humano é malicioso, e muitos buscam se apropriar, ardilosamente, do esforço ou capital alheio. Nesse caso, o problema não está no capitalismo em si, mas em quem age de má-fé. E não será ideologia política e/ou econômica alguma que fará com que o ser humano perca a malícia, muito ao contrário.

Quanto ao marxismo, a novidade em relação ao despautério do igualitarismo fica por conta do “socialismo científico”, termo proposto para contrapor o que passou a ser denominado de “socialismo utópico”, que também pregava o fim do capitalismo burguês, mas de forma lenta, gradual e pacífica, para enfim se chegar à sandice do igualitarismo, algo que, obviamente, estava longe de acontecer. O que Marx e Engels chamam de “científico”, contudo, é não mais que a “ditadura do proletariado”, (termo criado por Joseph Weydemeyer e adotado pelos marxistas), a saber, a tomada, à força, dos meios de produção, ou seja, o capital, de quem o produziu para as mãos do “Estado” socialista, ente abstrato que, na prática, não passa de Pessoa Jurídica do ditador.
Segundo o discurso marxista, o “socialismo científico” ou “ditadura do proletariado” seria o meio de se alcançar o comunismo. Ora, o próprio termo, “ditadura do proletariado”, carrega em si um contrassenso que expõe o dolo. Em sendo uma ditadura, essa, seguramente, pertence ao ditador e a mais ninguém. E uma vez estabelecido, é ingenuidade esperar que este ditador, de boa vontade, se desfaça do próprio poder, e mais ainda, que nenhum outro lhe pretenda o posto. Em outros termos, a ditadura do proletariado, conforme confirma a realidade histórica, não é um meio de se alcançar coisa alguma, mas o próprio fim pretendido. Não é à toa que o mundo livre e igualitário, prometido pelos marxistas, nunca, em país nenhum, foi implantado.
Eis, pois, a essência da coisa: tirado o discurso falacioso, o marxismo consiste em transgredir três mandamentos bíblicos: não cobiçarás, não roubarás e não matarás. Fato curioso, Karl Marx, um judeu reconhecidamente antissemita, produziu o que, efetivamente, é uma afronta à Torah.
O marxismo, vale ressaltar, não põe fim ao capitalismo, pois o capital continua a existir. Em vista disso, Josef Stalin, Wladimir “Lenin”, Fidel Castro e outros são figuras, na realidade, capitalistas, pois passaram a deter os meios de produção, ou seja, o capital. Inclusive transformando tudo em monopólio. Logo, são capitalistas, só que criminosos, velhacos.
Sobre o modus operandi do marxismo, trata-se de crime em larga escala, o que requer a formação de uma imensa quadrilha. Enquanto a cúpula pratica o latrocínio, que é o roubo seguido de morte (registra-se mais de cem milhões de pessoas assassinadas por não aceitarem a espoliação), a base, obtusa e presunçosa, movida por cobiça e/ou inveja, apoia. O discurso falacioso marxista serve apenas para aplacar a crise de consciência de quem decide aderir à quadrilha, multidão que não aceita matar, ou mesmo roubar, diretamente, mas, em troca de pequenos subornos, dá anuência a quem o faz. Ao final, quando já não tem mais a quem roubar e matar, quando o cabeça da quadrilha tem o domínio de absolutamente todos os meios de produção, a multidão, iludida, é, sem dó nem piedade, pura e simplesmente escravizada.