Um dos sentimentos colocado à prova quando o cidadão resolve participar diretamente na política é o ego. Se o aspirante à cadeira de representante não tiver controle sobre si, é quase provável perder a percepção da realidade, isto é, verá uma realidade só existente na cabeça dele. E isto é mais comum do que se imagina. Ser representante do povo, seja em qual cargo for, até mesmo o menor deles, um vereador, por exemplo, caso não tome cuidado com o próprio ego, começa ver algo que ninguém vê, tem a sensação de possuir um poder inexistente e começa a se colocar num trono que também não existe.
A partir deste ponto, somando ao ego inflado, a percepção deturpada do que é senso crítico e moral, o representante do povo entrega-se de corpo alma a tudo aquilo que lhe possa trazer vantagens indevidas na política, sobretudo as vantagens indevidas em dinheiro. Sempre em detrimento de algum setor primordial, um hospital em vias de fechar as portas por acúmulo de dívida por desvio de recursos, falta de verba nas escolas, alguma rua que recebeu dinheiro, mas nunca ficou pronta, saneamento e educação sucateados… vistas grossas para certas práticas, falta de fiscalização…
Vivemos a era do “Príncipe” de Maquiavel, um livro cujo objetivo na época, alguns dizem o contrário, era mostrar as nuances do poder, a relação do homem com o poder, principalmente o poder político. O livro aborda a essência utilitarista do governante, do que é necessário fazer mesmo quando não é moralmente bom “O líder precisa, às vezes, ser mau para governar”. Não foi exatamente com estas palavras, mas é justamente a mensagem da obra.
A frase “O líder precisa, às vezes, ser mau para governar” traz ao representante a percepção de ter condições para fechar a porta do mal quando bem achar necessário. No entanto, os fatos mostram o contrário, uma vez aberta, o homem não tem a mínima condições de fechá-la. E não se restringe aqui em crime de lesa pátria, peculato, corrupção em si. Muitas vezes, no jogo político, os conchavos, as tramas de bastidores, as estratégias imorais acontecem longe dos olhos da população, e são tão ou mais nocivas quanto a própria corrupção. Num último caso, a configuração do próprio sistema induz a este tipo de jogo, embora não se configure uma desculpa à danosa compra de votos através de verba parlamentar, para o indício de declínio de caráter e ética, pois sempre a primeira fraqueza é recheada de boas intenções futuras — São ciclos viciosos, ondas, das quais a última sempre avançará, dará continuidade a erosão provocada pela antecessora, levando a sociedade para a deterioração do tecido social.
A decadência moral e ética da política nunca é vista pela massa num pequeno espaço de tempo, pois além de trazer vantagens no primeiro momento para quem está envolvido, acontece geralmente nos bastidores. A longo prazo, desestimula as pessoas honestas a trabalharem para o bem estar social, esse espaço deixado pelas pessoas honestas, sempre é preenchido por pessoas imorais cujo interesse está bem longe dos interesses do povo. Trabalharam de si para si. Promovem-se com frases de efeitos, estão sempre em evidência, mostrando algum projeto em andamento, são sempre bons e carismáticos, ótimos atores sem qualquer compromisso com a verdade. Tem as causas universais na ponta da língua “luta pelo povo, pela igualdade, pela educação” sem nunca trazer um projeto substancial para provar o que está prometendo. Logicamente, estes acreditam com certa exatidão, na negligência e no descaso do povo pela política. — Salvo raras exceções, o problema encontra-se endêmico em todo o país, desde a menor prefeitura ao governo federal, o qual neste ano piorou com a política ideológica.
As soluções para combater esse ciclo vicioso, embora sejam claras, são tão difíceis quanto acreditar numa política séria e só poderão ser vistas a longo prazo, se houver gente disposta para isso, pois pode ser que a deterioração do tecido social e das instituições avancem mais do que a luta para combatê-las. Para tanto, podemos começar por uma estratégia forte de marketing para promover e fortalecer a percepção sobre princípios e valores desde: fortalecimento da propriedade privada; fortalecimento da família através do trabalho de indução à percepção da importância dos laços familiares, respeito à hierarquia, valorização da verdade através de exemplos benéficos de boa conduta; combater a linguagem de promoção à bandidolatria; combater a linguagem da promoção à vitimização astuta, combater tudo que promove a desvalorização da vida: como o aborto e a liberação das drogas; combater a linguagem à promoção da libertinagem pelo feminismo, combater a segregação promovida pela esquerda entre brancos e negros, cristãos e homossexuais, ricos e pobres, patrão e funcionário; combater a ideia de uma divisão imaginária entre opressor e oprimido em pleno século XXI; promover a concepção de que o Estado não é um deus e fortalecer a percepção de que o Estado é falho porque é comandado por homens; combater a linguagem de subversão da ideologia de gênero promovida por Judith Blatter nas escolas; tornar as leis mais rígidas para desestimular a corrupção e fortalecer a promoção da ética e do caráter; promover princípios e valores para os futuros homens serem resilientes, resistentes e atentos às armadilhas da corrupção moral através do poder, pois sempre começam com a noção de que não é crime, mesmo sendo imoral.
Não há caminho seguro para uma nação cujas pautas para a própria organização social não são os princípios e valores.